II Encontro de Macau

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Homenagem

Filipe de Sousa

Pianista, Compositor, Maestro, Investig

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A sua Vida, a sua Obra

A sua Vida, a sua Obra

Pianista, Compositor, Maestro, Investigador – um Homem da Cultura

Membro do Conselho Consultivo e Benemérito da Fundação Jorge Álvares.

Acreditou no projecto. Doou à Fundação, ainda em vida, em 2005, a casa e a propriedade de Alcainça, onde viveu os seus últimos anos, a sua valiosa e diversificada biblioteca, as suas importantes colecções de obras de arte, de discos e de manuscritos musicais, o seu espólio musical próprio.

Um vulto da Cultura, uma figura cívica, e, também, um amigo de Macau.

A Música levou-o muitas vezes a Macau. Privou e foi amigo de muitas personalidades ligadas à cultura e às artes do território, entre elas, e para apenas nomear a ligação à música, o Padre Áureo de Castro (Academia de Música S. Pio X) e o Maestro Simão Barreto.

Em 1987, por ocasião das comemorações do XXV aniversário da Academia de Música S. Pio X, organizou em Macau uma exposição de Manuscritos e Edições Musicais, patrocinada pelo Instituto Cultural de Macau, cuja apresentação, por ele escrita, e que se transcreve nesta edição, demonstra bem o interesse e o carinho especial que sempre dedicou ao Território.

Para além de outras informações sobre a sua vida e a sua obra, procurámos reunir um conjunto de depoimentos de grandes amigos, de antigos colegas, de outros músicos, escritores, admiradores da sua obra e da sua pessoa. Da leitura destes depoimentos fica um registo da sua vida, da sua obra, da pessoa extraordinária que foi o Maestro Filipe de Sousa.

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Nasceu em Lourenço Marques, Moçambique, a 15 de Fevereiro de 1927.

Deu início aos seus estudos musicais ainda em Lourenço Marques quando era criança, aos seis anos de idade, tendo, como o próprio considerava, herdado o talento musical da mãe, que tocava bandolim, e aprendido as primeiras notas musicais com o pai, guitarrista e compositor. Em casa do avô conheceu o piano e a grafonola, instrumentos que lhe despertaram o gosto pela arte dos sons.

Continuou os seus estudos posteriormente, em Lisboa, no Liceu Camões e no Conservatório Nacional, onde se diplomou em Piano, com Abreu Mota, e em Composição, com Jorge Croner de Vasconcelos.

Licenciou-se simultaneamente em Filologia Clássica na Faculdade de Letras de Lisboa.

Durante algum tempo dedicou a sua actividade à carreira de intérprete – pianista – tendo-se empenhado especialmente na divulgação de autores contemporâneos.

Em 1954, graças a uma bolsa do governo de Moçambique para estudar regência de orquestra no estrangeiro prosseguiu a sua formação na Alemanha e na Áustria, diplomando-se em 1957 na Staatsakademie de Viena, onde foi aluno de Hans Swarowsky e colega de Zubin Mehta e de Cláudio Abbado. Estudou também em Munique, com Mennerich e F. Lehmann, e em Hilversum, com Alberto Wolf.

Foi: membro fundador do Conselho Português de Música, da Juventude Musical Portuguesa, do Grupo Experimental de Ópera de Câmara de Lisboa e do Grupo Português de Bailado; presidente da Direcção e da Assembleia-Geral do Sindicato Nacional dos Músicos; professor do Conservatório Nacional de Lisboa (composição) e da Universidade de Luanda; membro por várias vezes do júri dos Concursos Internacionais de Piano “Vianna da Motta”; director do Serviço de Música da RTP.

Para além da sua actividade como intérprete, a quem se ficaram a dever numerosas primeiras audições em Portugal de obras de Bartók, Hindemith, Sravinsky, Schoenberg, Berg ou Milhaud, e como maestro, Filipe de Sousa dedicou-se também, com especial devoção, à investigação, divulgação e edição do património musical, designadamente do português. Os resultados do seu trabalho de investigação junto de arquivos e bibliotecas concretizaram-se na descoberta e na recuperação de dezenas de obras de música portuguesa, especialmente dos séculos XVIII e XIX.

Como investigador fez ressurgir dezenas de obras de compositores antigos portugueses e foi responsável pela descoberta, estudo e reposição moderna de importantes obras da história da música portuguesa, como António Teixeira e António José da Silva – As Variedades de Proteu , Guerras do Alecrim e da Mangerona – e editou para a colecção Portugaliae Musica da Fundação Calouste Gulbenkian, obras de Domingos Bontempo, Sousa Carvalho e Francisco de Lacerda.

Como maestro, para além de Portugal, onde foi convidado frequentemente a dirigir a Orquestra Sinfónica Nacional de Lisboa, actuou no Brasil, na África do Sul e na U.R.S.S.. No Brasil dirigiu em primeira audição mundial a cantata “O Caso do Vestido” (Carlos Drummond de Andrade) de Camargo Guarnieri, autor que veio posteriormente a dedicar-lhe a sua 6ª. Sinfonia.

Repartida por vários géneros musicais, Filipe de Sousa conferiu na sua obra uma especial relevância à voz, tendo sido a poesia a principal fonte de inspiração da sua obra musical.

A maior parte das suas obras musicais baseia-se numa criteriosa selecção literária, de Camilo Pessanha a Fernando Pessoa, de Garcia Lorca a Paul Éluard, de Rilke a Langston Hughes, etc..

Na obra de Filipe de Sousa assume predominância o conjunto de melodias para voz e piano (33, à data conhecidas) sobre poemas de Pessoa, Ricardo Reis, Camões, Pessanha, Rilke, Éluard, Lorca, entre outros, das quais uma parte significativa foi orquestrada pelo autor. Da sua produção instrumental destacam-se o Quinteto de sopros , a Sinfonietta e uma Suite de Danças , ambas para orquestra, bem como peças a solo para violino, viola, violoncelo e clarinete. No repertório pianístico têm lugar uma Sonata e duas Sonatinas .

Morreu, em Lisboa, vítima de doença prolongada, no dia 22 de Novembro de 2006, com 79 anos de idade.

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