II Encontro de Macau

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Homenagem

Filipe de Sousa

Pianista, Compositor, Maestro, Investig

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por José Brandão, pianista

por José Brandão, pianista

O encontro com o maestro Filipe de Sousa deu-se em Setembro de 2000 após um concerto no Museu da Música portuguesa, onde tive o gosto de o ouvir, com a violoncelista Irene Lima, nas Três Canções Populares Portuguesas e  na Página Esquecida, obras do compositor seu amigo Fernando Lopes-Graça. Com 73 anos, Filipe de Sousa relembrava-nos as suas excelentes qualidades pianísticas, nomeadamente como parceiro musical em circunstâncias em que o diálogo -  que pressupõe a escuta - se torna fulcral para que haja música. Foi a única vez que o ouvi ao vivo. As suas gravações, viria a conhecê-las posteriormente, e se é legítimo recordar apenas uma, destacaria a singularidade das Histórias para divertir os filhos de um artista, de Francisco de Lacerda, infelizmente não reeditadas em CD.

Da sua música conhecia anteriormente quase nada. Apenas as canções de Pessanha e de Ricardo Reis, que me incutiram a vontade de encontrar o seu autor e de estudar as restantes.   

Das nossas conversas, fica a memória de um homem generoso e afável, com sentido de humor q.b., de grande vitalidade intelectual, que me fazia descobrir os seus múltiplos interesses musicais e artísticos. Recordo ainda a admirável atmosfera da sua casa em Alcainça, o imenso salão com os dois pianos, repleto de livros – uma série de preciosidades que gostava de mostrar - de partituras, de pinturas e esculturas, onde, com a soprano Teresa Gardner, lhe apresentei uma selecção das suas canções.  Revelador da sua personalidade humilde como compositor, era a maior preocupação com uma transmissão clara da mensagem e do texto poéticos, do que com a “tradução” musical que realizávamos das canções. Momentos preciosos....

Algumas das suas canções são mais apelativas, tocam-nos de imediato...os dois sonetos de Pessanha, as odes de Ricardo Reis ou os poemas de amor de Éluard! São habitadas por ambientes de uma serenidade nostálgica, a par de um lirismo intenso, de traços reconhecíveis. Outras requerem, no entanto, a nossa melhor atenção. É necessário que as frequentemos durante um certo tempo, que aprendamos a desvendá-las. Desse estudo têm resultado óptimos momentos passados na recriação da sua música, da sua poesia - os dois conceitos são permutáveis!

Em meados de 2006 estava entusiasmado com a possibilidade de nos proporcionar um recital em Macau, com poesia de Camões. Acalentava ainda a esperança de revisitar o antigo território português, e já me tentava com um convite para aí visitarmos um restaurante seu predilecto...

O maestro sacode a batuta, / E lânguida e triste a música rompe...  Fernando Pessoa

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