II Encontro de Macau

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Homenagem

Filipe de Sousa

Pianista, Compositor, Maestro, Investig

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Três perguntas a Rão Kyao e Yanan

Três perguntas a Rão Kyao e Yanan

1 – O que considera mais importante no projecto do “Porto Interior”? e qual a razão principal que o (a) levou a aderir a esta iniciativa da Fundação Jorge Álvares?

Rão Kyao - Considero como a razão mais importante o facto de poder tocar música livremente na companhia de uma amiga e excelente executante instrumental. Para além de, nesta formação, poder continuar a concretização de um sonho que é o de apresentar alternativas para a nossa música portuguesa com ênfase especial na nossa relação secular com a China.
Penso também que a minha razão de aqui estar se deve ao facto de este grupo ser a continuação de várias tentativas feitas por mim, em disco (Macau o amanhecer, Junção) e em vários espectáculos com músicos do extremo oriente.

Yanan - Neste projecto o mais importante é a ligação intercultural das distintas sonoridades e das musicalidades portuguesa e chinesa, os nossos instrumentos são muito antigos e fazem-nos sempre lembrar o tempo em que os nossos avós se encontraram. No nosso reportório existem temas milenares que no passado se produziam em todo o sul da China, alguns dos quais por certo foram escutados e sentidos por Camões.

A razão de eu estar no projecto Porto Interior devo-o à sorte que tive de, após a minha chegada a Portugal, ter efectuado um pequeno recital em casa do saudoso Maestro Filipe de Sousa para alguns dos seus convidados e amigos, pessoas que eu facilmente concluí serem todas grandemente importantes, entre as quais se encontrava o Senhor General Rocha Vieira que, como todos sabem foi o último Governador Português de Macau, foi ele quem no final desse encontro, com elevado entusiasmo logo apressou e promoveu o meu primeiro achego musical com o Rão Kyao, tendo-nos agregado com as nossas sonoridades, o Senhor General animou-nos e estimulou-nos muito, para que com a nossa forma musical continuássemos a demonstrar um passado tão inimitável e encantador como foi o dos nossos dois povos.

Conquanto já debilitado o Maestro Filipe de Sousa cedeu o seu magnífico espaço para aí esboçarmos e então iniciarmos um desígnio musical. Revelado que foi esse intuito ás distintas pessoas que constituem a Fundação Jorge Álvares, esta instituição desde logo decidiu patrocinar e fazer principiar o programa do Porto Interior.


2 – Como classificaria musicalmente esta experiência?

Rão Kyao - Esta experiência põe em contacto dois músicos que exploram as sonoridades da suas músicas tradicionais, que simultaneamente tentam manifestar através do som ligações entre os dois povos (Português e chinês) que no território de Macau tão amplamente estão exemplificados.

Yanan – O Porto Interior colige uma excelente experiência musical, o Rão Kyao como todos sabem é um magnífico músico. O Cancioneiro Português é variadamente riquíssimo. Os meus instrumentos tão antigos, tão singulares e admiráveis propiciam as mais diversificadas ligações e uniões musicais, eu própria cada vez mais me predisponho receptiva a outros estímulos e a novas experiências.

Com as flautas do Rão a Pi’pa e o Guzheng convivem em expressiva e perfeita harmonia. Tenho a convicção de que se este projecto continuar tutelado, protegido e acarinhado como até aqui, vai por certo gerar e produzir um surpreendente início de musicalidades Luso Chinesas neste tempo que se diz de globalização. Para além disso, será sempre prosseguir a inigualável graça e cordialidade da afeição que uniu os nossos dois povos.


3 - Como encara o êxito que têm alcançado e como vê este encontro de instrumentos no futuro?

Rão Kyao - Estamos ambos evidentemente muito gratos pela reacção maravilhosa do público e sentimos um crescente desejo de alargar as possibilidades de aumentar o número de locais onde possamos apresentar a nossa música e nesse aspecto contamos com a preciosa colaboração da Fundação Jorge Àlvares com a qual somos um só nesta aventura musical que é o Porto Interior.

Yanan - Apesar da sempre animada recepção e da aceitação primorosa e aquecida que o Porto Interior tem colhido junto do deslumbrante público Português que muito prezo, considero ainda não ter atingido o êxito desejável, porquanto o Porto Interior continua a necessitar de mais realizações e, sobretudo do arrimo dos meios de comunicação, para assim chegar à maioria dos Portugueses, essa é uma condição indispensável para alicerçar e conferir a base de sustentação que nos permitirá ampliar e expandir este encontro instrumental para um futuro de promissoras sonoridades.

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