Encerramento do ano do 25.º aniversário da transferência da Administração Portuguesa de Macau e da criação da Fundação Jorge Álvares

Exposição Macau: os últimos dias da Administração Portuguesa
(Palácio da Bolsa, Porto, 18 de dezembro de 2025 a 21 de fevereiro de 2026) 

Apresentação do livro
Macau: a última transição – Vasco Rocha Vieira (1991-1999)

Abriu a sessão com palavras de boas-vindas e um elogio à iniciativa da Fundação Jorge Álvares o Presidente da Associação Comercial do Porto, Nuno Botelho, que “destacou o trabalho tão singular que representa a preservação dos laços históricos entre Portugal e Macau, e felicitou Rui Ochoa cujo talento e competência permitiram registar um acontecimento marcante da história  contemporânea  portuguesa”,  acrescentando  a importância da “nossa língua se manter  como eleemto identitário do território” e de “assinalar estes acontecimentos e manter viva a memória de um tempo marcante para Portugal”.

A Presidente da Fundação Jorge Álvares, Maria Celeste Hagatong, começou por se referir ao significado particular deste primeiro evento na cidade do Porto que encerra o ano do 25.º aniversário da transferência da Administração Portuguesa de Macau para a República Popular da China e da criação da Fundação Jorge Álvares.

Apresentando o programa da sessão, a Presidente da Fundação referiu-se seguidamente aos objetivos da sua criação, em 1999, salientando o facto da Fundação ter sido presidida até 2022 pelos antigos Governadores de Macau e de ser a única instituição que integra atualmente nos respetivos órgãos sociais individualidades portuguesas, chinesas e macaenses.

Relativamente à diversificada atividade desenvolvida nestes 25 anos, Celeste Hagatong referiou-se ao facto de com ela terem sido despendidos cerca de 5 milhões de euros mantendo-se intactos os fundos patrimoniais iniciais da instituição. Relativamente aos principais projetos realizados deu seguidamente, entre outros, especial realce à abertura em 19 de dezembro de 2024, da Galeria dos Governadores de Macau, cuja visita constitui uma viagem à história de Macau e das relações entre Portugal e a China, e em 19 de dezembro de 2023 do designado Fundo Documental dos Governadores de Macau, ambos os projetos situados no Centro Cientifico e Cultural de Macau em Lisboa, e desenvolvidos com financiamento integral da Fundação Jorge Álvares.

No uso da palavra que se seguiu, o Embaixador Pedro Catarino, Curador da Fundação que foi, entre outras funções de relevo na diplomacia portuguesa, Consul de Portugal em Hong Kong, Chefe da Delegação Portuguesa ao Grupo de Ligação Conjunto Luso-Chinês e Embaixador de Portugal em Pequim, fez uma excelente intervenção subordinada ao tema Macau de ontem, Macau de hoje.

Cativando a assistência e suscitando inequivocamente o interesse por Macau, o Embaixador Pedro Catarino referiu-se ao legado português de quase cinco séculos de presença em Macau e, com base numa muito recente visita ao território, ao extraordinário desenvolvimento da atual Região Administrativa Especial de Macau nestes últimos 25 anos.

A terminar a a sessão teve lugar a apresentação da obra Macau: a última transição – Vasco Rocha Vieira (1991-1999), cujo lançamento comercial será anunciado no decurso do corrente mês de janeiro.

Na sua intervenção, a representante da editora Guerra e Paz, Prof.ª Doutora Ana Salgado, congratulou-se, em primeiro lugar, por terem tido a oportunidade de publicar esta obra e agradeceu a confiança manifestada pela Fundação Jorge Álvares para o efeito.

Seguiu-se a intervenção do autor da obra, Prof. Doutor Alfredo Gomes Dias, o qual começou por agradecer todo o apoio dado pela Fundação Jorge Álvares às diferentes fases do trabalho que conduziu à escrita do livro – cerca de 20 anos – que incluiu a arrumação inicial do vasto arquivo pessoal do Governador Vasco Rocha Vieira, e a sua posterior catalogação e estudo. Nas suas palavras, “ao longo deste trabalho, foram muitas as conversas que tive o privilégio de manter com o general Rocha Vieira. Recordo os almoços que fomos agendando ou os encontros em sua casa…” “… encontrei, no general Rocha Vieira, uma pessoa com uma grande capacidade de transmitir o que pensava, de uma forma muito clara e estruturada, mas também uma grande disponibilidade para ouvir. Foram momentos em que pude escutar a voz do protagonista da última fase do processo de transferência da administração de Macau, da República Portuguesa para a República Popular da China e, desse modo, facilmente me transportei para a realidade que Macau viveu na década de 1990.”

A abertura e visita à exposição de fotografia de Rui Ochoa nos claustros do Palácio da Bolsa, encerrou a sessão. De grande relevância histórica e cultural, a exposição reúne cerca de cinquenta imagens captadas essencialmente em dezembro de 1999, que constituem um registo único sobre o fim da Administração Portuguesa de Macau e o início da nova Região Administrativa Especial de Macau, documentando um dos raros episódios internacionais em que dois países, separados por profundas diferenças culturais, conseguiram, através do diálogo, do entendimento e da cooperação institucional, realizar uma transição pacífica, ordenada e exemplar, permanecendo como referência nas relações diplomáticas.

Esta exposição foi inicialmente inaugurada a 19 de dezembro de 2024, no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), em Lisboa, inserida no programa conjunto da Fundação Jorge Álvares e do CCCM para assinalar o 25.º aniversário da transferência da Administração Portuguesa de Macau para a República Popular da China, tendo posteriormente, no mês de junho e julho de 2025, sido exibida na Galeria de Arte do Casino Estoril.

Anterior Palácio da Bolsa, no Porto, recebe exposição fotográfica de Rui Ochoa sobre a transição de Macau

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